Sete presídios de Pernambuco devem adotar padrão de segurança máxima; veja quais são
Sete presídios de Pernambuco terão reforço de segurança
Sete presídios de Pernambuco devem receber reforço de segurança por meio do projeto Padrão Segurança Máxima (PSM), iniciativa do Governo Federal voltada ao fortalecimento do controle prisional e ao combate à atuação de organizações criminosas. Entre as unidades citadas estão estabelecimentos localizados no Recife, em Igarassu, Itaquitinga, Palmares, Petrolina, Tacaimbó e Limoeiro.
A informação foi publicada pelo Jornal do Commercio, em reportagem sobre o reforço de segurança nos presídios pernambucanos. Segundo a publicação, as unidades fazem parte de um grupo de 138 estabelecimentos prisionais selecionados nacionalmente por critérios de inteligência penal.
O objetivo da iniciativa é ampliar a fiscalização, dificultar a entrada de materiais ilícitos e reduzir a possibilidade de que pessoas presas continuem transmitindo ordens para integrantes de organizações criminosas fora das unidades.
A medida integra o programa Brasil Contra o Crime Organizado e prevê investimentos em equipamentos, tecnologia, capacitação de profissionais e procedimentos operacionais. O reforço busca ampliar a capacidade de controle das unidades estaduais sem que elas sejam automaticamente transformadas em presídios federais.
Quais são os sete presídios de Pernambuco incluídos na lista?
De acordo com a reportagem do Jornal do Commercio, as unidades pernambucanas identificadas são:
1. Presídio de Itaquitinga II, em Itaquitinga
Localizado na Mata Norte, o estabelecimento é citado pela reportagem como uma das unidades estratégicas para o controle de pessoas apontadas como lideranças de organizações criminosas.
2. Presídio de Igarassu, em Igarassu
Situado na Região Metropolitana do Recife, o presídio aparece na lista em meio a preocupações relacionadas à segurança, à estrutura e à capacidade de controle interno.
3. Presídio Policial Penal Leonardo Moura Lago, no Recife
A unidade fica no Complexo Prisional do Curado, na capital pernambucana, e está entre os estabelecimentos que devem receber reforço dentro do projeto.
4. Presídio Rorinildo da Rocha Leão, em Palmares
Localizado na Mata Sul, o estabelecimento integra a relação de unidades pernambucanas identificadas pela reportagem.
5. Penitenciária Dr. Edvaldo Gomes, em Petrolina
A unidade fica no Sertão de Pernambuco e faz parte da lista de estabelecimentos previstos para receber reforço de segurança.
6. Penitenciária de Tacaimbó, em Tacaimbó
Localizada no Agreste, a penitenciária também foi citada entre as unidades selecionadas.
7. Penitenciária Dr. Ênio Pessoa Guerra, em Limoeiro
O estabelecimento, situado no Agreste pernambucano, completa a relação das sete unidades informadas pela reportagem.
A lista acima corresponde à apuração publicada pelo Jornal do Commercio. A Secretaria Nacional de Políticas Penais não divulga publicamente todos os nomes das unidades selecionadas, alegando razões operacionais e de segurança.
O que muda com o padrão de segurança máxima?
O projeto Padrão Segurança Máxima prevê uma combinação de tecnologia, inteligência e capacitação profissional. A proposta é aumentar a capacidade de fiscalização das unidades e reduzir as oportunidades para a entrada de celulares e outros materiais ilícitos.
Conforme informações oficiais da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), foram adquiridos 276 equipamentos de raio-X, 138 scanners corporais e 365 viaturas para o projeto nacional.
O planejamento prevê dois aparelhos de raio-X e um scanner corporal para cada uma das 138 unidades contempladas. A distribuição dos equipamentos ocorre de maneira gradual, conforme o cronograma logístico e operacional.
O programa também prevê a ampliação de protocolos de segurança, o fortalecimento das atividades de inteligência penal e a qualificação dos profissionais responsáveis pela operação das unidades.
É importante esclarecer que o padrão de segurança máxima não significa, necessariamente, a transferência de todos os presos para unidades federais nem a conversão automática dos estabelecimentos estaduais em presídios federais. A iniciativa procura fortalecer as estruturas estaduais por meio de recursos tecnológicos e procedimentos de controle.
Presídio de Igarassu enfrenta desafios estruturais
Entre as unidades citadas, o Presídio de Igarassu merece atenção por causa dos problemas estruturais relatados em inspeções anteriores.
Segundo a reportagem do Jornal do Commercio, uma inspeção realizada pela Defensoria Pública de Pernambuco apontou, no primeiro semestre de 2026, 6.127 pessoas custodiadas na unidade, cuja capacidade oficial informada era de 1.226 vagas. O número corresponde a uma taxa de ocupação aproximada de 499,8%.
Esses dados mostram a dimensão do desafio de gestão e infraestrutura enfrentado pelo estabelecimento. O reforço tecnológico pode contribuir para melhorar a fiscalização, mas não substitui medidas relacionadas à capacidade de alojamento, às condições sanitárias, ao efetivo profissional e ao funcionamento adequado do sistema prisional.
A situação evidencia que a segurança penitenciária depende de diferentes frentes de atuação. Equipamentos modernos precisam estar associados a equipes capacitadas, protocolos efetivos, fiscalização contínua e condições estruturais compatíveis com as necessidades da população custodiada.
Como a medida pode afetar a segurança pública em Pernambuco?
Um dos objetivos do projeto é reduzir a capacidade de articulação de organizações criminosas a partir dos presídios. Quando comunicações clandestinas são utilizadas para coordenar atividades externas, o controle dos meios de comunicação e a fiscalização dos acessos tornam-se elementos importantes da política penitenciária.
O reforço previsto para unidades pernambucanas pode ampliar os instrumentos disponíveis para identificar materiais proibidos e fortalecer as rotinas de segurança. Os resultados, entretanto, dependerão da execução das medidas, da manutenção dos equipamentos e da integração entre as equipes estaduais e federais.
Também é necessário acompanhar se as ações serão acompanhadas por melhorias na gestão das unidades, na prevenção de irregularidades e nas condições de trabalho dos policiais penais.
Para a população do Recife e de outras regiões de Pernambuco, a questão é relevante porque a segurança dentro dos presídios faz parte de uma estratégia mais ampla de enfrentamento ao crime organizado. Ainda assim, o anúncio de investimentos não comprova, por si só, uma redução imediata nos índices de criminalidade.
O que acompanhar nos próximos meses?
Os próximos passos importantes são a confirmação da distribuição dos equipamentos, a implementação dos protocolos operacionais e a divulgação de informações sobre a execução do projeto em Pernambuco.
Também será necessário observar se as medidas produzirão avanços concretos no controle das unidades e na redução de comunicações ilícitas utilizadas para coordenar atividades criminosas.
A modernização do sistema prisional é uma das frentes da política de segurança pública. Para avaliar seus resultados, será importante acompanhar dados oficiais, inspeções, indicadores de funcionamento e informações divulgadas pelas autoridades responsáveis.