Putin acusa líderes europeus de se prepararem para guerra com a Rússia

Presidente russo fez a declaração durante reunião sobre o novo programa de armamentos do país. No mesmo período, a Polônia colocou sua defesa aérea em alerta após novos ataques russos contra a Ucrânia.

Por Inácio Santos | Publicado em 20/09/2026 às 01:42
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que alguns líderes europeus estão se preparando para uma possível guerra com o país. A declaração foi feita nesta sexta-feira (18), durante uma reunião com autoridades russas sobre o novo programa estatal de armamentos para as Forças Armadas e os órgãos de segurança. Segundo Putin, dirigentes europeus estariam falando abertamente sobre a possibilidade de um confronto com a Rússia e utilizando a ameaça de uma guerra para justificar políticas internas diante de problemas econômicos e sociais. A declaração ocorre em um momento de aumento das tensões entre Rússia, Ucrânia e países europeus integrantes da OTAN. Nos últimos dias, autoridades de diferentes países do continente passaram a alertar sobre riscos relacionados a ataques com drones, operações cibernéticas e outras formas de pressão atribuídas a Moscou. Putin, no entanto, não apresentou na declaração divulgada nomes específicos de líderes europeus que, segundo ele, estariam se preparando para uma guerra contra a Rússia. A afirmação faz parte do discurso político do presidente russo em meio à continuidade da guerra na Ucrânia e ao aumento das discussões sobre segurança no continente. Putin critica expansão da OTAN Durante a reunião, Putin também voltou a criticar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O presidente russo afirmou que a aliança militar continua se expandindo e ampliando sua presença para outras regiões. Para Moscou, a expansão da OTAN representa uma questão central de segurança. Países europeus integrantes da aliança, por outro lado, vêm reforçando medidas de defesa diante da guerra na Ucrânia e de episódios envolvendo drones e outras ameaças. O cenário criou um ciclo de acusações entre os dois lados. Enquanto o governo russo afirma que a expansão militar ocidental aumenta os riscos para seu território, governos europeus apontam a necessidade de ampliar a capacidade de defesa diante de ações atribuídas à Rússia. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta semana que as ameaças híbridas russas contra a Europa e a França aumentaram. Segundo Macron, o governo francês prepara medidas para proteger infraestruturas consideradas estratégicas contra possíveis ataques com drones e operações cibernéticas. Leia a reportagem da Reuters sobre o aumento das tensões entre Rússia e Europa Polônia coloca defesa aérea em alerta Enquanto Putin fazia as declarações, a Polônia adotou medidas preventivas para proteger seu espaço aéreo após uma nova onda de ataques russos contra a Ucrânia. As Forças Armadas polonesas acionaram aeronaves militares e elevaram o nível de prontidão dos sistemas terrestres de defesa aérea e de reconhecimento por radar. A medida ocorreu diante dos ataques russos contra território ucraniano, especialmente pelo uso de drones. Posteriormente, a operação foi encerrada e os sistemas retornaram ao funcionamento regular. O Exército polonês informou que não houve violação do espaço aéreo da Polônia durante o período de alerta. O episódio mostra como ataques realizados na guerra da Ucrânia podem provocar respostas preventivas em países vizinhos que fazem parte da OTAN. Europa aumenta atenção sobre ameaças russas A movimentação militar polonesa ocorre em um contexto de preocupação crescente entre governos europeus com possíveis ataques híbridos. O conceito envolve ações que não necessariamente correspondem a uma guerra convencional, como ataques cibernéticos, sabotagem, desinformação e operações com drones. Autoridades europeias têm discutido formas de proteger infraestrutura crítica e reduzir vulnerabilidades diante desse tipo de ameaça. O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, também afirmou recentemente que a Rússia poderia testar a capacidade de resposta da OTAN por meio de ataques contra países que apoiam a Ucrânia. Segundo Tusk, existe preocupação com ações utilizando drones e mísseis contra integrantes da aliança militar. Essas declarações ajudam a explicar o ambiente no qual Putin fez sua acusação. Ainda assim, é necessário diferenciar as advertências feitas por governos europeus sobre ameaças de segurança da afirmação de que esses países estariam efetivamente planejando iniciar uma guerra contra a Rússia. Putin afirma que Rússia não pretende atacar a Europa Ao mesmo tempo em que acusou alguns líderes europeus de se prepararem para um conflito, Putin afirmou que a Rússia não possui intenções agressivas contra a Europa. Em declaração divulgada pela Reuters, o presidente russo disse que não haveria fundamentos para considerar que Moscou pretende iniciar uma guerra contra países europeus e afirmou que a Rússia estaria disposta a restabelecer relações e cooperar com seus vizinhos. A posição apresentada pelo Kremlin contrasta com as avaliações de governos europeus sobre o aumento dos riscos de segurança no continente. Essa divergência é uma das principais características do atual cenário geopolítico: Moscou afirma que reage a ameaças externas, enquanto países europeus ampliam sua preparação militar alegando necessidade de proteção diante das ações russas. Guerra na Ucrânia mantém tensão entre Moscou e Europa A guerra entre Rússia e Ucrânia continua sendo o principal elemento da crise de segurança no continente europeu. O conflito, iniciado em larga escala com a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, permanece sem uma solução definitiva. Ao mesmo tempo, países europeus continuam apoiando Kiev em diferentes áreas, enquanto Moscou mantém suas operações militares. A tensão também ocorre durante as eleições parlamentares russas de 2026. O pleito acontece em um ambiente político marcado pela guerra e por restrições à participação de candidatos contrários ao conflito. Autoridades russas também relataram ataques cibernéticos contra sistemas eleitorais e redes de comunicação durante a votação. Putin relacionou a eleição ao apoio da população às Forças Armadas russas e afirmou que milhões de cidadãos demonstrariam seu respaldo às ações do país. O que pode acontecer agora? As declarações de Putin não significam, por si só, que uma guerra direta entre Rússia e países europeus esteja prestes a começar. Até o momento, não há confirmação de que líderes europeus tenham decidido iniciar um conflito militar direto contra Moscou. O que existe é uma combinação de fatores que mantém elevado o nível de tensão: continuidade da guerra na Ucrânia, aumento dos gastos militares europeus, reforço das defesas aéreas, episódios envolvendo drones, acusações de ataques híbridos e divergências sobre o futuro da segurança continental. A Polônia, por exemplo, encerrou a operação preventiva iniciada neste sábado sem registrar violação de seu espaço aéreo. O episódio, portanto, não resultou em um confronto direto entre forças russas e polonesas. Ao mesmo tempo, governos europeus continuam discutindo como fortalecer suas defesas e proteger infraestrutura estratégica. A Rússia, por sua vez, afirma que suas ações militares respondem ao que considera ameaças à sua segurança. O cenário mantém a guerra na Ucrânia como o principal foco de tensão entre Moscou, Europa e OTAN. Novos ataques, movimentações militares ou decisões de governos envolvidos podem influenciar o nível de alerta nos próximos dias.