PF desmonta banco clandestino na fronteira e Justiça bloqueia R$ 254 milhões

Operação investiga esquema de câmbio paralelo, remessas irregulares ao exterior e lavagem de dinheiro em Aceguá, no Rio Grande do Sul

Por Inácio Santos | Publicado em 10/09/2026 às 01:47

Uma operação deflagrada nesta quarta-feira (9) pela Polícia Federal desarticulou uma estrutura financeira clandestina que funcionava em Aceguá, no Rio Grande do Sul, município localizado na fronteira com o Uruguai. A investigação aponta a existência de um esquema de câmbio paralelo, envio informal de dinheiro para o exterior e possível lavagem de recursos.

Além das medidas de busca e prisão, a Justiça Federal determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 254 milhões em bens e valores relacionados aos investigados. A decisão envolve contas bancárias, veículos e imóveis que poderão ser utilizados para garantir eventual ressarcimento ou aplicação de medidas determinadas no decorrer do processo.

Investigação começou em 2023

De acordo com as informações divulgadas sobre a operação, as investigações tiveram início em setembro de 2023. Desde então, os investigadores passaram a apurar a atuação de pessoas que ofereceriam serviços financeiros fora dos canais oficiais.

O grupo investigado teria recebido valores em reais no Brasil e, posteriormente, disponibilizado quantias equivalentes em moeda estrangeira no exterior. Segundo a investigação, essas operações eram realizadas sem passar pelo sistema formal de câmbio e sem o controle das instituições autorizadas.

A localização de Aceguá é considerada estratégica para a investigação por se tratar de uma cidade situada na fronteira brasileira com o Uruguai. A região possui intenso fluxo de pessoas e mercadorias entre os dois países.

Mandados foram cumpridos no Rio Grande do Sul

Durante a operação, foram cumpridos dois mandados de prisão temporária, além de dez mandados de busca e apreensão e dez mandados de busca pessoal.

As ações ocorreram principalmente nos municípios de Aceguá e Bagé. Outras oito pessoas também foram atingidas por medidas cautelares determinadas pela Justiça Federal.

Entre as medidas impostas estão a obrigação de comparecimento periódico em juízo e a proibição de deixar o país. Em determinados casos, os investigados tiveram de entregar seus passaportes às autoridades.

Bloqueio de R$ 254 milhões

Um dos principais resultados da operação foi a decisão judicial que determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 254 milhões.

A medida alcança diferentes tipos de patrimônio. Segundo as informações divulgadas, foram incluídos 13 veículos, nove imóveis e valores existentes em contas bancárias.

O bloqueio patrimonial é uma medida utilizada durante investigações para impedir que recursos ou bens relacionados aos fatos apurados sejam transferidos, ocultados ou alienados antes da conclusão das medidas judiciais.

Como funcionava o esquema investigado

Segundo a investigação, pessoas físicas e empresas de diferentes regiões do Brasil teriam utilizado os serviços oferecidos pela estrutura clandestina.

O funcionamento ocorreria por meio do recebimento de depósitos em reais em contas bancárias no Brasil. Em contrapartida, o cliente receberia o valor correspondente em moeda estrangeira fora do território nacional.

Esse tipo de operação, quando realizado à margem das instituições autorizadas e dos mecanismos oficiais de controle, pode caracterizar diferentes infrações previstas na legislação brasileira.

A investigação aponta ainda que o esquema poderia estar relacionado à lavagem de dinheiro, além de outras práticas financeiras consideradas ilegais.

Quais crimes são investigados

Os investigados poderão responder, conforme o avanço da apuração e eventual comprovação dos fatos, por crimes como operação de instituição financeira sem autorização, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

É importante destacar que a operação representa uma etapa de investigação. A existência dos mandados e das medidas cautelares não significa, por si só, que os investigados tenham sido definitivamente condenados pelos crimes apurados.

Por que operações de câmbio clandestino preocupam as autoridades

Operações financeiras realizadas fora do sistema oficial dificultam o rastreamento da origem e do destino dos recursos. Por isso, estruturas desse tipo podem ser utilizadas para movimentar dinheiro sem a transparência exigida pelo sistema financeiro regulamentado.

O mercado formal de câmbio é submetido a regras e mecanismos de fiscalização que permitem às autoridades acompanhar determinadas operações internacionais. Quando valores são movimentados por estruturas clandestinas, esse controle pode ser reduzido.

No caso investigado no Rio Grande do Sul, a apuração busca justamente esclarecer a dimensão da estrutura financeira, identificar todos os envolvidos e verificar a origem dos recursos movimentados.

Investigação continua

Com a execução dos mandados e o bloqueio patrimonial, a investigação deverá avançar sobre documentos, equipamentos, contas e demais elementos eventualmente encontrados durante as buscas.

O objetivo das autoridades é identificar a extensão do esquema, compreender o fluxo financeiro e verificar a participação individual dos investigados.

A operação também demonstra como cidades brasileiras localizadas em regiões de fronteira podem ser utilizadas como pontos estratégicos para movimentações financeiras internacionais. No caso de Aceguá, a proximidade com o Uruguai é um elemento relevante para compreender a dinâmica investigada pelas autoridades.

As medidas determinadas pela Justiça Federal ainda poderão ser revistas no decorrer do processo, conforme a apresentação de novas informações e manifestações das partes envolvidas.

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