Ni do Badoque transforma força nas redes em candidatura à Assembleia Legislativa de Pernambuco
Eleições 2026 - Em Pernambuco Subtítulo: Influenciador pernambucano, que já disputou uma vaga na Alepe em 2018, volta às urnas pelo PSD e aposta na popularidade digital para conquistar espaço na política estadual.
O nome que durante anos ficou associado ao humor, às redes sociais e à crítica de problemas do Recife agora ocupa oficialmente um espaço mais direto na política pernambucana. Ni do Badoque vai disputar uma vaga de deputado estadual pelo PSD nas Eleições 2026, em uma tentativa de transformar sua presença digital em representação política na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
Nielson José Anderson Lins Botelho, conhecido publicamente como Ni do Badoque, construiu uma audiência expressiva nas redes sociais e passou a ampliar sua atuação para temas políticos. Em julho, o PSD apresentou oficialmente sua candidatura para a disputa pela Alepe em um ato que contou com a presença da governadora Raquel Lyra, presidente estadual da legenda.
A movimentação representa uma nova etapa de uma trajetória que já teve passagem pelas urnas. Ni do Badoque disputou uma vaga de deputado estadual em 2018 pelo então PP, atual Progressistas, recebeu 8.393 votos e terminou como suplente. O resultado consta nos registros eleitorais do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco.
Agora, oito anos depois da primeira tentativa, o cenário é diferente.
Da internet para a política
Ni do Badoque ganhou notoriedade inicialmente como humorista e produtor de conteúdo. Sua trajetória profissional inclui televisão e atuação nas redes sociais, onde desenvolveu uma comunicação marcada por linguagem popular e interação direta com o público.
O Jornal do Commercio já registrava, em 2017, a projeção do humorista nas redes e na televisão pernambucana, quando ele passou a integrar o programa Interativo, da TV Jornal.
Com o passar dos anos, sua atuação digital ganhou novos elementos. Além do entretenimento, Ni passou a publicar conteúdos relacionados a problemas urbanos, fiscalização e política local, especialmente sobre questões do Recife.
Essa mudança contribuiu para aproximá-lo do debate político e transformou sua audiência virtual em uma possível base eleitoral.
Em julho de 2026, o Blog Cenário informou que Ni já ultrapassava a marca de 2 milhões de seguidores no Instagram. O mesmo veículo descreveu sua atuação como influenciador e destacou sua presença em pautas relacionadas à população recifense.
O número de seguidores, entretanto, não deve ser confundido automaticamente com votos.
A principal questão para a candidatura será justamente transformar alcance digital em participação eleitoral efetiva. Curtidas, visualizações e seguidores podem ampliar a exposição de um candidato, mas não garantem desempenho nas urnas.
A aproximação com Raquel Lyra
A entrada de Ni do Badoque no PSD também estabeleceu uma associação política direta com a governadora Raquel Lyra.
Em março de 2026, o influenciador oficializou sua filiação ao PSD e declarou apoio à reeleição de Raquel. A decisão ocorreu em um momento no qual ele já vinha adotando uma postura crítica em relação à administração do prefeito do Recife, João Campos, que posteriormente se tornou candidato ao Governo de Pernambuco.
Quatro meses depois, em julho, o PSD apresentou sua candidatura para a Assembleia Legislativa.
Durante o anúncio, Raquel Lyra afirmou que Ni poderia ajudar ainda mais a população e o apresentou como alguém que poderia atuar como aliado de sua caminhada política. Ni, por sua vez, declarou que pretendia ampliar sua atuação a partir da política institucional.
A candidatura, portanto, nasce de uma combinação entre uma base digital consolidada, posicionamento político já conhecido e alinhamento público com o projeto de reeleição de Raquel Lyra.
O desafio de disputar a Alepe
A eleição para deputado estadual apresenta uma característica diferente da disputa majoritária pelo Governo de Pernambuco.
Ni do Badoque não precisa apenas construir uma imagem estadual. Ele terá de disputar votos dentro de uma eleição proporcional, na qual o desempenho individual está relacionado também à votação dos demais candidatos do partido e ao funcionamento do sistema eleitoral proporcional.
Isso torna a estratégia partidária especialmente importante.
O PSD busca fortalecer sua bancada na Assembleia Legislativa e poderá utilizar nomes com diferentes perfis para alcançar segmentos distintos do eleitorado.
Para Ni, sua principal vantagem potencial está na capacidade de comunicação direta com pessoas que já acompanham seu trabalho nas redes sociais.
O desafio será ampliar essa audiência para além do ambiente digital.
Uma segunda tentativa
A candidatura de 2026 também possui um elemento histórico importante: esta não será a primeira vez que Ni do Badoque tenta chegar à Alepe.
Em 2018, ele concorreu pelo PP com o nome de urna Ni do Badoque e recebeu 8.393 votos. O resultado foi suficiente para colocá-lo na condição de suplente, mas não para garantir uma cadeira no Legislativo estadual.
A experiência anterior permite comparar duas fases completamente diferentes de sua trajetória.
Em 2018, sua presença política ainda estava fortemente associada ao entretenimento e à popularidade construída na televisão e na internet.
Em 2026, ele chega ao processo eleitoral com uma identidade política mais definida e com uma audiência digital muito maior.
Isso não significa que sua eleição esteja assegurada. Significa apenas que as condições de partida são diferentes.
O Recife como principal território político
Grande parte da identidade pública de Ni do Badoque está relacionada ao Recife.
Ao longo dos últimos anos, seus vídeos passaram a abordar problemas urbanos e questões relacionadas à administração municipal. Essa atuação o aproximou de temas como infraestrutura, serviços públicos e fiscalização.
Em 2025, reportagens sobre sua possível candidatura já destacavam críticas feitas pelo influenciador à gestão municipal do Recife e sua atuação mostrando problemas estruturais da cidade.
Esse posicionamento pode ser convertido em uma plataforma eleitoral, especialmente entre eleitores que se identificam com um discurso de cobrança do poder público.
Ao mesmo tempo, uma candidatura à Assembleia Legislativa exige uma dimensão estadual.
O eleitor de Recife pode ser uma parte importante da base de Ni do Badoque, mas uma campanha competitiva para deputado estadual precisa alcançar também outras cidades e regiões de Pernambuco.
Esse será um dos principais testes da campanha.
Popularidade digital não é garantia de eleição
A presença de influenciadores nas eleições brasileiras cresceu nos últimos anos, e Pernambuco não está fora desse movimento.
A vantagem de nomes conhecidos da internet está na capacidade de comunicação direta com grandes públicos sem depender exclusivamente dos canais tradicionais de mídia.
No caso de Ni do Badoque, essa característica é particularmente evidente.
Mas existe uma diferença entre influência e representação política.
Um influenciador pode alcançar milhões de pessoas em uma publicação e, ainda assim, enfrentar dificuldades para mobilizar eleitores, estruturar uma campanha territorial, formar equipes, apresentar propostas e conquistar votos em diferentes municípios.
A eleição será o teste para saber se a audiência digital construída por Ni do Badoque consegue se converter em capital político.
Essa conversão dependerá de fatores que vão muito além do número de seguidores.
O que Ni do Badoque leva para a campanha
A candidatura chega ao período eleitoral apoiada em três elementos principais.
O primeiro é a experiência acumulada na comunicação digital. Ni conhece a linguagem das redes e possui uma audiência que acompanha sua trajetória.
O segundo é a experiência eleitoral. Embora não tenha sido eleito em 2018, já conhece a dinâmica de uma campanha proporcional e a disputa por votos.
O terceiro é o posicionamento político construído nos últimos anos, agora associado formalmente ao PSD e ao projeto de reeleição de Raquel Lyra.
A combinação desses fatores diferencia sua candidatura de uma estreia absoluta na política.
Ao mesmo tempo, também cria expectativas maiores.
Uma candidatura que chama atenção
A entrada de Ni do Badoque na disputa pela Alepe mostra como a fronteira entre influência digital e política institucional está cada vez mais estreita.
Sua trajetória começou no entretenimento, passou pela televisão, ganhou escala nas redes sociais e chegou novamente às urnas.
Agora, a pergunta é diferente daquela feita em 2018.
Não se trata apenas de saber quantos votos ele conseguirá obter. Será preciso observar se sua comunicação digital consegue se transformar em uma atuação política capaz de conquistar eleitores fora de sua audiência habitual.
O resultado também terá significado para o próprio PSD, que incorporou um nome com forte presença nas redes e pretende ampliar sua força na Assembleia Legislativa.
Para Raquel Lyra, a candidatura representa ainda a incorporação de um influenciador que já declarou apoio à sua reeleição e possui capacidade própria de comunicação com o eleitorado.
Para Ni, entretanto, a eleição representa o desafio mais importante de sua trajetória política.
Depois de conquistar milhões de pessoas pela internet e de retornar às urnas oito anos depois de sua primeira tentativa, Ni do Badoque terá agora de transformar popularidade em votos e discurso em representação.
A resposta virá das urnas em outubro.