Motorista sofre queimaduras após ser feito refém e ter ônibus incendiado em Olinda

Trabalhador da linha Jardim Brasil/Joana Bezerra foi rendido durante a madrugada e teve rosto, cabelo e mão atingidos pelas chamas

Por Inácio Santos | Publicado em 02/09/2026 às 16:56
Um motorista de ônibus foi feito refém e sofreu queimaduras após criminosos incendiarem um coletivo durante a madrugada desta quarta-feira (2), na Vila Popular, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife. O veículo, que operava a linha 825, Jardim Brasil/Joana Bezerra, foi alvo de disparos antes de ser atingido pelo fogo. Segundo informações divulgadas pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Pernambuco (Sintro-PE), o motorista foi abordado por criminosos quando chegava ao Terminal Integrado de Jardim Brasil I para iniciar a jornada de trabalho. O ataque aconteceu por volta das 4h45. O trabalhador teria sido obrigado a conduzir o ônibus por um trecho até a Vila Popular, onde os criminosos utilizaram gasolina para incendiar o veículo. O motorista acabou atingido pelas chamas e sofreu queimaduras no rosto, cabelo e mão. Ele recebeu atendimento médico e, segundo informação divulgada posteriormente pela imprensa, já recebeu alta hospitalar. Ônibus estava sem passageiros no momento do ataque De acordo com informações repassadas pela Empresa Caxangá, responsável pela operação da linha 825, o coletivo não transportava passageiros no momento em que foi abordado. A empresa informou que quatro pessoas participaram da abordagem e obrigaram o motorista a alterar o trajeto do ônibus. O profissional foi conduzido até outro ponto, onde ocorreu o incêndio. O veículo foi atingido por tiros e teve parte da estrutura interna danificada pelas chamas. Moradores da região tentaram ajudar a controlar o fogo utilizando baldes de água antes da chegada do atendimento. Imagens que circulam nas redes sociais mostram os danos provocados pelo incêndio, incluindo partes dos assentos e outros componentes internos do ônibus atingidos pelo calor. A Caxangá informou ainda que disponibilizou às autoridades as imagens das câmeras de segurança do coletivo. A empresa afirmou que está colaborando com a investigação. Motorista foi socorrido após ser atingido pelo fogo Durante a ação criminosa, o trabalhador não conseguiu escapar completamente das chamas e teve partes do corpo atingidas. O presidente do SINTRO-PE, Roberto Carlos, informou que o motorista teve queimaduras no rosto, cabelo e mão. O trabalhador foi encaminhado para atendimento médico e posteriormente recebeu alta. Em nota, a Empresa Caxangá afirmou que o profissional recebeu atendimento médico e passa bem. O caso provocou preocupação entre os trabalhadores do transporte coletivo da Região Metropolitana do Recife, especialmente entre os profissionais que atuam nas linhas que atendem Jardim Brasil. Seis linhas tiveram a operação interrompida Após o ataque, o Sindicato dos Rodoviários decidiu interromper temporariamente a circulação dos ônibus que atendem a região de Jardim Brasil. As linhas afetadas foram a 821, 822, 823, 824, 825 e 884. A medida foi adotada pela categoria como forma de protesto e também em razão da preocupação com a segurança dos trabalhadores. A suspensão da operação provocou impactos para os passageiros que utilizam diariamente o transporte coletivo entre Olinda e outras áreas da Região Metropolitana. Durante a manhã, rodoviários também realizaram um protesto na região da Avenida Agamenon Magalhães. A mobilização ocorreu em resposta ao ataque e para cobrar providências das autoridades. A manifestação provocou retenções no trânsito e afetou a circulação de veículos em uma das principais vias de ligação entre Olinda e Recife. Protesto bloqueou trecho da Pan Nordestina Outro ponto de impacto ocorreu na Avenida Pan Nordestina, nas proximidades do Complexo de Salgadinho. Segundo informações divulgadas pelo Jornal do Commercio, o protesto provocou congestionamento durante a manhã. A via começou a ser liberada por volta do meio-dia, mas a circulação das linhas Jardim Brasil I e II continuava suspensa. A mobilização foi organizada pelos trabalhadores após o ataque sofrido pelo motorista. O presidente do SINTRO-PE classificou o episódio como grave e afirmou que a prioridade da categoria é garantir a segurança dos profissionais que trabalham diariamente no transporte público. O sindicato também cobrou das autoridades uma investigação rigorosa e medidas capazes de evitar novos episódios de violência. Polícia Civil investiga o ataque A Polícia Civil de Pernambuco informou que instaurou um inquérito para investigar o incêndio do ônibus e as circunstâncias da ação criminosa. As imagens das câmeras de segurança do coletivo foram disponibilizadas pela Empresa Caxangá para auxiliar os investigadores. Até o momento, a motivação do ataque ainda não foi oficialmente esclarecida. Informações sobre uma possível relação com disputas criminosas na região foram mencionadas por representantes da categoria, mas essa hipótese ainda não foi confirmada pelas autoridades responsáveis pela investigação. Por isso, não é possível afirmar, neste momento, qual teria sido a motivação dos criminosos. A investigação deverá buscar identificar os envolvidos, esclarecer a dinâmica do ataque e determinar as circunstâncias que levaram ao incêndio do coletivo. Grande Recife manifesta repúdio O Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano também se manifestou sobre o episódio. Em nota, o órgão repudiou a violência contra o sistema de transporte público e seus trabalhadores e declarou solidariedade ao motorista e à categoria dos rodoviários. O consórcio informou que acionou a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco para auxiliar na identificação dos responsáveis. O órgão também destacou que episódios de violência contra trabalhadores do transporte público afetam não apenas os profissionais, mas também os passageiros que dependem dos ônibus diariamente. A manifestação ocorre em meio a outros episódios recentes de violência envolvendo motoristas de ônibus na Região Metropolitana do Recife. Terceiro episódio de violência contra rodoviários em menos de um mês Segundo levantamento apresentado pelo SINTRO-PE e divulgado pela imprensa, o caso de Olinda ocorre em um período de aumento da preocupação entre os trabalhadores do transporte coletivo. Nas últimas semanas, outros episódios envolvendo motoristas foram registrados na Região Metropolitana. Em 12 de agosto, um motorista foi agredido próximo ao Terminal de Barra de Jangada, em Jaboatão dos Guararapes. Já em 26 de agosto, outro motorista foi agredido no Terminal de Pau Amarelo, em Paulista. O trabalhador sofreu traumatismo craniano após ser atacado por homens durante uma discussão. O episódio registrado nesta quarta-feira acrescenta um novo nível de gravidade à sequência de ocorrências, já que o motorista foi feito refém e teve o corpo atingido pelas chamas durante o incêndio do coletivo. Impacto para o transporte público de Olinda O ataque também teve consequências diretas para os passageiros de Jardim Brasil e áreas próximas. A interrupção temporária das seis linhas deixou usuários sem o serviço regular de transporte durante parte da manhã, enquanto os trabalhadores realizavam a mobilização. A situação chama atenção para um problema que ultrapassa a questão patrimonial. Além dos danos ao ônibus, o episódio colocou em risco a vida de um trabalhador e afetou o funcionamento de linhas utilizadas diariamente pela população. O Grande Recife destacou justamente esse aspecto ao afirmar que atos de violência comprometem a operação do sistema e atingem diretamente os passageiros. Para os moradores de Olinda, o caso também representa uma preocupação adicional em relação à segurança nos terminais e durante o deslocamento dos profissionais que conduzem os ônibus. Investigação deve definir próximos passos Com o inquérito instaurado, a Polícia Civil deverá analisar as imagens disponíveis, ouvir testemunhas e reunir outras evidências capazes de esclarecer a dinâmica do crime. A disponibilização das imagens das câmeras do ônibus poderá contribuir para a identificação dos envolvidos e para a reconstrução dos momentos anteriores ao incêndio. Até o momento, não houve divulgação oficial de prisões relacionadas ao caso. O motorista, por sua vez, recebeu atendimento médico e já recebeu alta, segundo as informações mais recentes divulgadas pela imprensa. O episódio permanece sob investigação e a motivação do ataque ainda não foi oficialmente esclarecida. Enquanto isso, a categoria dos rodoviários cobra medidas para aumentar a segurança dos trabalhadores e evitar que novos episódios semelhantes ocorram na Região Metropolitana do Recife.