Instituto Maria transforma cuidado em acolhimento e acompanha conquistas de crianças com Síndrome de Down em Olinda
Recife Urgente visitou a instituição, ouviu profissionais, internos de Medicina e familiares e conheceu histórias que revelam a importância do cuidado multiprofissional.
Em Olinda, na Região Metropolitana do Recife, o Instituto Maria Alcoforado de Barros Melo desenvolve um trabalho voltado ao atendimento de crianças com Síndrome de Down e ao acompanhamento de suas famílias.
Durante uma visita à instituição, a equipe do Recife Urgente conheceu a rotina do espaço e ouviu médicos, recepcionistas, profissionais administrativos, assistente social, psicopedagoga, internos de Medicina e uma mãe. Em comum, os depoimentos revelam uma experiência marcada pelo cuidado, pelo acolhimento e pelo acompanhamento individualizado.
Mais do que apresentar especialidades e tratamentos, os relatos mostram o impacto que a convivência diária com as crianças e suas famílias provoca também em quem trabalha e estuda no Instituto.
Uma experiência que transforma profissionais
Para a Dra. Luiza Belford, médica, o Instituto chegou à sua vida em um momento inesperado. Ela conta que chegou à instituição grávida e acabou encontrando um universo completamente novo.
“O Instituto, para mim, ele me acolheu num momento que eu não sabia, mas eu precisava. Eu cheguei aqui grávida, num mundo totalmente novo, repleto de mães. Esse mundo do Instituto, ele me mudou.”
Segundo Dra. Luiza, a convivência com as crianças e suas famílias provocou uma transformação pessoal.
“Eu tenho 100% de certeza que eu sou uma pessoa muito melhor por trabalhar aqui com essas mães, com essas crianças. A cada vitória, a cada fala, a cada tratamento, aquilo ali é muito gratificante.”
Para a médica, trabalhar no Instituto representa também uma confirmação de sua escolha profissional.
“É um trabalho que engrandece não só você, mas engrandece a alma. Então eu sou muito feliz de trabalhar no Instituto. Estar aqui é saber que eu entrei na Medicina da forma correta. O Instituto tem um trabalho lindo e é muito gratificante fazer parte dele.”
As pequenas conquistas acompanhadas de perto
Na recepção, Miriam destaca justamente aquilo que acompanha diariamente: a evolução das crianças.
“Ver a evolução que elas têm, crianças que entraram aqui, bebezinha, hoje estão andando, crianças que hoje estão falando. Então eu me sinto muito feliz, muito gratificante trabalhar aqui.”
Ela resume sua relação com o trabalho de maneira direta:
“Para mim é o melhor emprego de toda a minha vida que eu tive, é trabalhar ao lado desses pequenininhos. E eu fico muito feliz com isso. Adoro trabalhar no Instituto Maria.”
Clécia, também recepcionista, fala sobre a relação com as mães e o momento delicado vivido por muitas famílias.
“Para mim é um prazer imenso trabalhar com essas mães. Vocês sabem que isso é um momento muito desafiador para elas. Então, para mim, é maravilhoso estar aqui, contribuindo e ajudando.”
Um trabalho que envolve toda a equipe
O cuidado percebido no Instituto também é destacado por Gustavo, porteiro. Para ele, acompanhar a busca das famílias por melhores condições para seus filhos é uma das partes mais gratificantes do trabalho.
“E o prazer que eu tenho imenso de trabalhar aqui com as crianças do Instituto é em ver a emoção e alegria das mães poderem procurar um futuro melhor para as crianças, o bem-estar. Isso é muito gratificante e muito humano.”
Gustavo também destaca o sentimento de fazer parte da equipe.
“Eu acho muito bonito isso aí. Sinto muito orgulho de participar dessa equipe de profissionais que a gente vê mesmo que é de coração. Não tem coisa melhor.”
Para Luciene, ASG, a convivência com as crianças também produz momentos de emoção.
“Trabalhar no Instituto Maria para mim é maravilhoso. Cada criança que passa por aqui, a gente se emociona muito com a evolução deles, com o carinho deles.”
Ela também resume a importância do trabalho em sua própria história.
“Para mim foi o melhor que aconteceu na minha vida, foi trabalhar no Instituto Maria.”
Atendimento individualizado às famílias
Isabel Oliveira, assistente social, considera um privilégio participar do atendimento oferecido pelo Instituto, especialmente por envolver não apenas as crianças com Síndrome de Down, mas também suas famílias.
“Para mim é um privilégio poder trabalhar aqui nesse Instituto, da causa que é voltada para o atendimento das crianças com Síndrome de Down, como também o atendimento às famílias.”
Isabel ressalta que cada atendimento possui características próprias.
“Não é, na realidade, um atendimento sistemático e robotizado. É um atendimento individual, onde a gente trabalha as emoções, tanto nossas quanto das famílias.”
Para ela, essa relação torna cada encontro diferente.
“Então, cada atendimento é único, é emocionante, é gratificante ao mesmo tempo poder estar aqui.”
Desenvolvimento desde os primeiros anos
A psicopedagoga Socorro Barros conta que acompanhou o surgimento do Instituto e se encantou quando descobriu a proposta da instituição.
“Quando a gente viu o Instituto sendo formado aqui, a gente ficou curioso. Quando eu descobri que era um Instituto voltado para a Síndrome de Down, eu me encantei. Disse: ‘Eu vou trabalhar neste lugar’.”
Socorro destaca o vínculo criado com as crianças.
“É muito prazeroso, porque eles são muito afetuosos, muito encantadores. Eles vão se envolvendo e a gente vai se envolvendo também. E há um encantamento muito gostoso, muito prazeroso.”
Segundo ela, um dos objetivos é possibilitar o desenvolvimento desde cedo para favorecer a autonomia.
“O objetivo é esse, possibilitar o desenvolvimento dessa criança desde cedo para que ela possa se tornar um adulto funcional, com habilidades de escrever seu nome, de identificar os objetos e de se desenvolver como ser humano de uma forma global, como um todo.”
Ao falar sobre sua relação com o Instituto, Socorro não esconde a emoção:
“Eu sou encantada com isso aqui. Eu amo demais. É muito gostoso, é muito prazeroso e eu amo trabalhar aqui.”
“Um oásis de aconchego”
A Dra. Vitória Terra, médica, encontrou uma definição própria para descrever o Instituto.
“Eu sempre falo que o Instituto Maria, para mim, é um oásis de aconchego.”
Segundo Dra. Vitória, a missão inicial está relacionada à saúde integral das crianças, mas a experiência acaba ensinando também aos profissionais.
“A gente entra aqui com a missão de trabalhar com crianças num aspecto de melhorar a saúde integral delas. Mas a gente acaba descobrindo que, além da gente fazer isso, a gente aprende muito sobre carinho, sobre amor e cuidado ao próximo.”
A médica também destaca a integração entre as diferentes áreas.
“A gente constrói aqui dentro laços que vão além das paredes desse Instituto. A gente tem um corpo profissional muito legal, muito amigo e a gente trabalha com muita interdisciplinaridade.”
Dra. Vitória conta ainda que acompanha a transformação das famílias junto com a evolução das crianças.
“A gente tem famílias que a gente vê evoluindo juntamente com as crianças, com atingir marcos de desenvolvimento e aprender novas coisas. A gente vê como as famílias vão se transformando ao longo do tempo.”
Para ela, o Instituto representa o resultado do trabalho coletivo.
“O Instituto Maria, para mim, é um oásis pleno de aconchego.”
O olhar dos internos de Medicina
A experiência também marcou os estudantes de Medicina que passaram pelo Instituto.
Thiago Thomaz, interno de Medicina da FMO, afirma que o estágio foi importante tanto para a formação clínica quanto para o aprendizado sobre comunicação e acolhimento.
“Para nós, foi extremamente gratificante poder participar, estagiando aqui no Instituto Maria, pois, para além de aprendermos protocolos clínicos práticos, nós aprendemos também como lidar com as famílias, com as crianças, de maneira muito carinhosa e especial.”
Thiago destaca a importância da escuta.
“Nós aprendemos diariamente como ter uma escuta ativa para com as mães, acolhendo essas crianças, tratando com carinho, amor, explicando de maneira simplificada o tratamento que será feito com as crianças para que tenha maior adesão para com a família inteira.”
Para ele, o envolvimento dos profissionais é perceptível no cotidiano.
“É perceptível o brilho no olho de todos aqueles que trabalham aqui no Instituto, que com certeza fazem isso com muito carinho, muita dedicação e muito amor.”
Patricia Sampaio, interna de Medicina, também descreve a passagem pelo Instituto como uma experiência transformadora.
“Tivemos a oportunidade de vir aqui para o Instituto Maria como internos de Medicina e acompanhar os atendimentos dessas crianças tão especiais, que são as crianças T21.”
Patricia destaca que a experiência ultrapassou a parte clínica.
“Para a gente foi uma honra acompanhar tanto a parte clínica, mas também o tratamento que tem com essas crianças aqui, do médico até o porteiro. É uma diferenciação que eu nunca vi, uma coisa tão maravilhosa.”
Ela também ressaltou o cuidado destinado aos familiares.
“O cuidado com os pais, o cuidado com a criança, o olhar acolhedor, o amor que é tratado aqui. Para mim foi de imensa gratidão.”
Ao final do estágio, Patricia afirma ter levado uma nova percepção para sua trajetória.
“Estou saindo daqui desse estágio hoje com uma visão totalmente diferente da que eu entrei. A experiência que eu estou levando aqui do Instituto Maria é para a minha vida, para a minha vida pessoal, para a minha vida profissional.”
A experiência de uma mãe
Entre os depoimentos ouvidos pelo Recife Urgente, está o de Jane, mãe de Maria, que acompanha a filha no Instituto.
“E o Instituto Maria para a gente foi muito importante. Quando eu trouxe Maria, Maria era bebezinha, não tinha nem um mês.”
Jane conta algumas das conquistas observadas durante o acompanhamento.
“E hoje Maria está aqui, batendo palmas, chamando papai, mamãe. Já senta sem apoio.”
Para ela, o sentimento é de gratidão aos profissionais que acompanham a filha.
“Só o que eu tenho é agradecer, agradecer a Deus e agradecer por ter o Instituto Maria, agradecer a todos os profissionais.”
Jane também destaca a evolução da filha.
“Porque hoje minha filha está bem desenvolvida. Tem excelentes profissionais aqui. Isso é o que eu tenho a agradecer, só agradecer mesmo. Gratidão a todos.”
Com o passar dos dias, porém, ele percebeu que havia outro aprendizado.
“Mas, com o passar dos dias, percebi que o Instituto estava me ensinando algo que nenhum protocolo, nenhum livro e nenhuma aula conseguem transmitir completamente: o verdadeiro significado de cuidar de alguém.”
O olhar de quem também viveu a experiência
Para Inácio Santos, interno de Medicina, a experiência no Instituto também ultrapassou aquilo que ele imaginava encontrar inicialmente.
Durante a experiência no Instituto Maria, também tive a oportunidade de perceber que o aprendizado ia muito além daquilo que eu imaginava encontrar inicialmente como interno de Medicina.
“Como interno de Medicina, eu cheguei ao Instituto Maria acreditando que viria para aprender mais sobre Medicina. E, de fato, aprendi. Aprendi sobre acompanhamento clínico, desenvolvimento, cuidado e sobre a importância de uma abordagem verdadeiramente interdisciplinar.”
Com o passar dos dias, porém, percebi que havia um aprendizado ainda maior acontecendo dentro da instituição, algo que ultrapassava os conhecimentos técnicos da Medicina.
“Mas, com o passar dos dias, percebi que o Instituto estava me ensinando algo que nenhum protocolo, nenhum livro e nenhuma aula conseguem transmitir completamente: o verdadeiro significado de cuidar de alguém.”
Essa experiência também mudou a forma como passei a enxergar cada atendimento. No Instituto, antes de existir um diagnóstico, existe uma criança. Antes de existir uma condição clínica, existe uma família. E, antes de qualquer conduta médica, existe uma história que precisa ser ouvida.
Foi justamente essa convivência diária com as crianças, as famílias e toda a equipe que tornou a experiência tão significativa. Mais do que acompanhar tratamentos e observar condutas, estar no Instituto Maria foi uma oportunidade de compreender que o cuidado em saúde também é feito de escuta, acolhimento, vínculo e respeito às particularidades de cada pessoa.
Instituto Maria Alcoforado de Barros Melo | Endereço: Avenida Carlos de Lima Cavalcante, Praça Pedro Jorge, nº 2985, Casa Caiada, Olinda - PE.
Instagram: @institutomaria
🎥 Assista ao vídeo completo: conheça de perto o trabalho, os profissionais, as famílias e as histórias que fazem parte do Instituto Maria.