Grito dos Excluídos reúne movimentos sociais e políticos no Recife no 7 de Setembro

Ato percorreu o Centro da capital pernambucana com reivindicações relacionadas à moradia, direitos trabalhistas, proteção às mulheres e soberania nacional

Por Inácio Santos | Publicado em 07/09/2026 às 20:22

A 32ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas levou movimentos sociais, organizações sindicais, grupos religiosos e representantes de comunidades às ruas do Centro do Recife nesta segunda-feira (7), feriado da Independência do Brasil.

A mobilização teve concentração no Parque Treze de Maio, no bairro da Boa Vista, e seguiu em caminhada pelas ruas da região central até o Pátio do Carmo, no bairro de Santo Antônio. O ato integrou uma mobilização nacional realizada em diferentes cidades brasileiras durante o 7 de Setembro.

Em 2026, a manifestação adotou como lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”. Entre as principais reivindicações apresentadas pelos participantes estiveram o direito à moradia digna, o enfrentamento à violência contra as mulheres, a defesa de políticas sociais e o combate às desigualdades.

Moradia está entre as principais pautas

O déficit habitacional ganhou espaço entre os temas defendidos durante a manifestação. Os organizadores relacionaram a pauta à necessidade de ampliar políticas públicas destinadas à população que enfrenta dificuldades para ter acesso à habitação adequada.

A discussão também dialogou com a Campanha da Fraternidade de 2026, que tem como tema “Fraternidade e Moradia”. O movimento defende que o acesso à habitação seja tratado como uma questão central para a redução das desigualdades sociais.

Além da moradia, os participantes levaram às ruas reivindicações relacionadas à reforma agrária, às condições de trabalho, à educação pública, ao Sistema Único de Saúde (SUS) e à participação popular nas decisões políticas.

Combate à violência contra as mulheres

Outro ponto de destaque foi a defesa das mulheres e o combate ao feminicídio e a outras formas de violência de gênero.

A expressão “Mulheres Vivas”, presente no lema da edição deste ano, foi utilizada para chamar atenção para a violência que atinge mulheres em diferentes contextos sociais. A pauta esteve associada à defesa de políticas públicas de proteção e prevenção.

Movimentos participantes também relacionaram o tema às desigualdades enfrentadas por mulheres negras, periféricas, trabalhadoras rurais, indígenas e chefes de família.

Fim da escala 6x1 também entra na pauta

As relações de trabalho também estiveram presentes no ato realizado no Recife. Entre as reivindicações apresentadas esteve o fim da escala 6x1, modelo que prevê seis dias consecutivos de trabalho para um dia de descanso.

Os movimentos defendem mudanças na jornada de trabalho e melhores condições para trabalhadores. A pauta vem sendo discutida no Congresso Nacional e ganhou espaço entre diferentes organizações sindicais e movimentos sociais.

Durante o ato no Recife, a reivindicação foi apresentada juntamente com outras demandas relacionadas à valorização do trabalho e à ampliação dos direitos sociais.

Participação política em ano eleitoral

A realização do Grito dos Excluídos em 2026 também ocorreu em um contexto de disputa eleitoral. Lideranças políticas e candidatos participaram da mobilização no Recife.

O Diario de Pernambuco registrou a presença de nomes ligados ao campo progressista e de esquerda, incluindo a senadora Teresa Leitão, o senador Humberto Costa e candidatos que disputam cargos nas eleições deste ano.

A presença de políticos no evento provocou discussões sobre os limites entre a participação em uma manifestação social e a utilização do espaço como ambiente de exposição eleitoral.

Coordenadores do movimento, porém, ressaltaram que o Grito dos Excluídos possui uma trajetória própria e é realizado anualmente, independentemente do calendário eleitoral.

Manifestação ocorre paralelamente ao desfile oficial

O ato no Centro do Recife ocorreu durante o mesmo feriado em que a cidade recebeu o tradicional desfile cívico-militar de 7 de Setembro, realizado na Zona Sul.

As duas mobilizações apresentaram características distintas. Enquanto o desfile oficial reuniu militares, estudantes e instituições em uma celebração da Independência do Brasil, o Grito dos Excluídos utilizou a data para apresentar reivindicações sociais e políticas.

A realização simultânea de diferentes manifestações transformou o 7 de Setembro em uma data de intensa movimentação política e social na capital pernambucana.

Mobilização acontece em várias cidades brasileiras

O Grito dos Excluídos não ficou restrito a Pernambuco. Segundo informações da Agência Brasil, a 32ª edição foi realizada em mais de 50 cidades brasileiras, reunindo movimentos sociais em diferentes regiões do país.

As manifestações nacionais apresentaram pautas semelhantes às observadas no Recife, incluindo moradia digna, reforma agrária, educação pública, defesa do SUS, combate ao feminicídio, enfrentamento ao racismo e à LGBTfobia e mudanças nas relações de trabalho.

A mobilização mantém uma tradição iniciada em 1995 e utiliza o período da Semana da Pátria para levar às ruas reivindicações de movimentos populares, organizações sindicais, pastorais e entidades sociais.

Recife concentra mobilização no Centro

Na capital pernambucana, a concentração no Parque Treze de Maio colocou o movimento no coração da região central da cidade. De lá, os participantes seguiram em caminhada até o Pátio do Carmo, passando por áreas de grande circulação.

A escolha do percurso também reforçou o caráter público da manifestação, levando as reivindicações para espaços tradicionalmente utilizados por manifestações políticas e sociais no Recife.

O ato terminou integrando uma série de mobilizações realizadas durante o feriado da Independência, em um momento marcado pela proximidade das eleições e pelo intenso debate nacional sobre direitos sociais, trabalho, moradia e soberania.

O Grito dos Excluídos no Recife marcou mais uma edição da tradicional mobilização popular no 7 de Setembro, reunindo diferentes organizações em torno de pautas sociais e políticas que permanecem no centro do debate público brasileiro.

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