Educação entra no centro da disputa pelo Governo de Pernambuco com propostas de creches, ensino integral e tecnologia
Raquel Lyra, João Campos, Ivan Moraes e Renan Hallais apresentam projetos diferentes para educação infantil, ensino integral, formação profissional e valorização dos professores
A educação se consolidou como um dos principais temas da disputa pelo Governo de Pernambuco nas eleições de 2026. Os planos apresentados por Raquel Lyra (PSD), João Campos (PSB), Ivan Moraes (PSOL) e Renan Hallais (Missão) colocam no centro do debate questões como educação infantil, expansão do ensino em tempo integral, alfabetização, formação profissional, valorização dos professores, inclusão e uso de tecnologia.
A comparação foi publicada pelo Diario de Pernambuco nesta terça-feira (18), a partir das propostas apresentadas pelos candidatos para os próximos quatro anos. Embora existam pontos de convergência entre os programas, cada candidatura dá ênfase diferente às políticas educacionais.
Entre os temas que aparecem com maior frequência estão a ampliação da oferta de creches, o fortalecimento da alfabetização na idade certa e a expansão da educação em tempo integral. A formação profissional e tecnológica também ganhou espaço importante, principalmente diante da necessidade de aproximar a escola do mercado de trabalho e das novas demandas econômicas de Pernambuco.
Raquel Lyra aposta na continuidade e na expansão das creches
A candidata à reeleição, Raquel Lyra, apresenta uma proposta de continuidade das políticas iniciadas durante sua atual gestão, com prioridade para a primeira infância e para a infraestrutura educacional.
Um dos principais pontos é a conclusão e equipagem de 250 novas creches, com previsão de aproximadamente 60 mil novas vagas no estado. A política está relacionada ao programa Juntos pela Educação e já possui ações em andamento durante o atual governo.
Dados oficiais da Secretaria de Educação de Pernambuco apontam que o programa prevê investimento de aproximadamente R$ 1,9 bilhão para a construção de 250 Centros de Educação Infantil e a ampliação da oferta de vagas em creches e pré-escolas.
Em publicação oficial, a Companhia Estadual de Habitação e Obras também informou que a iniciativa contempla unidades distribuídas pelas diferentes regiões do Estado, com modelos arquitetônicos adaptados às características dos terrenos e às demandas locais.
No plano apresentado para a próxima gestão, Raquel Lyra também defende a expansão das Escolas Técnicas Estaduais, a conclusão de 15 novas unidades e o fortalecimento do TrilhaTec. A proposta inclui ainda o avanço da rede de ensino em tempo integral.
Outro eixo é a inclusão. A candidatura prevê ampliar centros de atendimento para estudantes neurodivergentes e pessoas com deficiência, além de investimentos em infraestrutura, climatização das escolas e conclusão do Centro de Formação dos Profissionais da Educação.
João Campos amplia foco em tecnologia e interiorização
João Campos apresenta uma estratégia que combina expansão da educação infantil com formação tecnológica e interiorização das oportunidades educacionais.
O candidato propõe novas creches em parceria com os municípios e o fortalecimento das políticas de alfabetização na idade certa. Também defende a universalização do ensino médio em tempo integral e a extensão desse modelo para os anos finais do ensino fundamental.
Na educação profissional, um dos principais destaques é a proposta de expansão do Embarque Digital para todo Pernambuco. A iniciativa seria inspirada no programa existente no Recife e teria como objetivo oferecer 10 mil vagas em cursos superiores de tecnologia para estudantes oriundos da rede pública durante quatro anos.
A proposta foi anunciada por João Campos em junho, durante visita ao Porto Digital, no Recife. Segundo a divulgação da época, os cursos seriam financiados pelo Governo de Pernambuco e disponibilizados para estudantes de diferentes regiões do Estado.
O projeto também está associado à estratégia de levar oportunidades de formação tecnológica para fora da Região Metropolitana do Recife. A intenção anunciada pelo candidato é estimular a presença de empresas de tecnologia no interior e ampliar a conexão entre formação profissional e mercado de trabalho.
Na educação superior, João Campos propõe ainda a interiorização da Universidade de Pernambuco (UPE), com a criação de um novo campus em Caruaru, além da expansão do Instituto Federal de Pernambuco em parceria com o Governo Federal.
Ivan Moraes prioriza equidade e valorização dos professores
O candidato Ivan Moraes apresenta um programa com maior ênfase em equidade social, gestão democrática, direitos trabalhistas e políticas de inclusão.
Entre as propostas está o objetivo de assegurar que crianças estejam alfabetizadas e tenham domínio de matemática até o final do segundo ano do ensino fundamental, por meio de uma atuação conjunta entre Estado e municípios.
O candidato também defende a ampliação do ensino em tempo integral, especialmente em territórios considerados vulneráveis, e a criação de uma Política Estadual de Apoio à Educação Infantil.
A valorização dos profissionais da educação ocupa espaço central no programa. Ivan Moraes propõe concursos periódicos, redução da dependência de contratos temporários, cumprimento do piso salarial, ampliação do tempo destinado ao planejamento e bolsas de pós-graduação para professores.
Outra proposta é a criação de uma política intersetorial de saúde laboral voltada à prevenção do esgotamento profissional entre trabalhadores da educação.
Na área da inclusão, o plano prevê uma Rede Estadual de Suporte à Inclusão Escolar e políticas específicas para povos indígenas, quilombolas e comunidades do campo. O candidato também defende mecanismos de equidade étnico-racial e diversidade nas escolas.
Em agosto, Ivan Moraes também aderiu à Agenda 227, conjunto de diretrizes elaborado por organizações da sociedade civil para políticas públicas voltadas à infância e adolescência. Na ocasião, afirmou que as propostas seriam incorporadas ao programa de governo.
Renan Hallais apresenta proposta baseada em tecnologia e gestão
O candidato Renan Hallais, do Missão, apresenta uma abordagem diferente para a educação pernambucana, com ênfase em integração comunitária, inovação pedagógica e modernização da gestão por meio de tecnologia.
Entre as propostas está o programa Escola de Portas Abertas, que prevê a utilização das unidades escolares pela comunidade durante os fins de semana.
Outra iniciativa apresentada é o Professor em Casa, voltado à realização de visitas domiciliares a famílias de estudantes em situação de vulnerabilidade.
Na área pedagógica, Hallais propõe utilizar como referência o padrão da Escola de Aplicação da UPE para português e matemática a partir do sexto ano.
O plano também prevê mudanças na carreira dos professores, com três trilhas de progressão equivalentes: ensino, gestão e especialista.
Na formação profissional, aparecem propostas como o Sistema Dual PE, que prevê aprendizagem prática remunerada em empresas para estudantes do segundo e terceiro anos, além do P-TECH P, voltado à integração entre escolas técnicas e ensino superior.
Também está previsto o QualificaPE, com certificações modulares e programas de mentoria.
Onde os candidatos convergem
Apesar das diferenças ideológicas e administrativas, os quatro programas possuem alguns pontos de convergência.
A primeira infância é um deles. Raquel Lyra propõe concluir a estruturação de uma ampla rede de creches, João Campos defende novas unidades em parceria com municípios e Ivan Moraes apresenta uma política estadual específica para educação infantil.
O ensino integral também aparece em diferentes formatos. Raquel Lyra prevê a expansão da rede estadual, enquanto João Campos propõe universalizar o ensino médio em tempo integral e ampliar a modalidade para os anos finais do ensino fundamental. Ivan Moraes defende expansão direcionada especialmente para territórios vulneráveis.
A formação profissional constitui outro ponto comum. As candidaturas apresentam propostas relacionadas às escolas técnicas, ensino superior, tecnologia ou aproximação entre estudantes e mercado de trabalho.
A valorização dos professores também está presente, embora com estratégias diferentes. Enquanto alguns programas priorizam formação continuada e estrutura de carreira, outros destacam condições de trabalho, concursos e direitos profissionais.
Tecnologia ganha espaço na agenda educacional
A presença da tecnologia é uma das características mais marcantes das propostas para 2026.
No programa de João Campos, o principal exemplo é a expansão do Embarque Digital, com previsão de 10 mil vagas em formação tecnológica. O projeto já havia sido apresentado como uma das principais propostas da pré-campanha na área de educação.
Renan Hallais vai além ao incorporar a inteligência artificial à modernização da gestão educacional. Ivan Moraes também prevê políticas relacionadas à inclusão e à formação, enquanto Raquel Lyra associa tecnologia à modernização da infraestrutura e à educação profissional.
O debate, portanto, não se limita mais à quantidade de vagas ou escolas. As propostas apresentadas pelos candidatos também discutem qual tipo de formação Pernambuco pretende oferecer aos estudantes diante das transformações tecnológicas e econômicas.
O que estará em disputa na educação pernambucana
A comparação dos programas mostra que a disputa eleitoral não apresenta apenas quatro versões de uma mesma política educacional. Existem diferentes prioridades sobre onde concentrar recursos e como organizar a atuação do Estado.
A primeira infância aparece como uma frente de expansão da oferta. O ensino integral é tratado como estratégia para ampliar a jornada escolar. A educação profissional surge vinculada à empregabilidade e à tecnologia. Já a valorização docente é apresentada sob perspectivas que vão da formação e carreira até condições de trabalho e direitos.
Para os municípios pernambucanos, a relação entre Estado e prefeituras também será um ponto importante. Isso ocorre porque a educação infantil e parte do ensino fundamental dependem fortemente da atuação municipal, enquanto o Estado possui papel central no ensino médio e na educação profissional.
É justamente nessa divisão de responsabilidades que muitas das propostas apresentadas pelos candidatos deverão ser testadas na prática.
A execução de novas creches, a expansão do ensino integral, a formação de professores, a interiorização do ensino superior e a criação de oportunidades de formação tecnológica exigirão recursos, planejamento, articulação entre governos e capacidade de execução.
Com a campanha eleitoral de 2026 avançando, a educação tende a permanecer entre os temas centrais do debate sobre o futuro de Pernambuco. A comparação entre os programas permite ao eleitor observar não apenas quais candidatos prometem ampliar investimentos, mas também quais prioridades cada candidatura pretende estabelecer para crianças, estudantes, professores e instituições de ensino nos próximos quatro anos.