DPOC pode afetar até quem nunca fumou, alerta pneumologista Bianca Santos
Doença pulmonar crônica está ligada principalmente ao cigarro, mas exposição à fumaça e poluição também aumenta os riscos. A pneumologista Dra. Bianca Santos alerta para sintomas que costumam ser ignorados por anos.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) continua sendo uma das condições respiratórias mais subestimadas no Brasil, apesar do impacto direto na qualidade de vida e da alta relação com internações hospitalares. Conhecida principalmente pela associação com o cigarro, a doença também pode atingir pessoas que nunca fumaram.
Segundo análise da pneumologista Dra. Bianca Santos, a exposição frequente à fumaça de fogão a lenha, queima de biomassa e poluição ambiental também representa fator importante para o desenvolvimento da doença pulmonar.
“A DPOC dificulta a passagem do ar nas vias aéreas e pode provocar sintomas progressivos como falta de ar, tosse persistente e cansaço”, explica a especialista.
O que é DPOC?
A DPOC é uma doença respiratória crônica que provoca obstrução do fluxo de ar nos pulmões. O quadro geralmente evolui de forma lenta e silenciosa, fazendo com que muitos pacientes demorem anos para procurar ajuda médica.
Entre os sintomas mais comuns estão:
falta de ar;
tosse frequente;
chiado no peito;
produção excessiva de catarro;
fadiga durante atividades simples.
Durante apuração realizada pela equipe, especialistas destacaram que o diagnóstico precoce pode reduzir complicações e melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente.
Cigarro é principal causa, mas não a única
Embora o tabagismo continue sendo o principal fator de risco para a doença, a Dra. Bianca Santos alerta que outras formas de exposição também podem comprometer os pulmões ao longo dos anos.
Segundo a pneumologista, pessoas expostas diariamente à fumaça de:
fogão a lenha;
queimadas;
carvão;
poluição urbana;
ambientes fechados com má ventilação;
também apresentam maior risco de desenvolver a doença, mesmo sem histórico de cigarro.
Poluição e fumaça doméstica preocupam especialistas
Em regiões do interior e áreas rurais, o uso contínuo de lenha para cozinhar ainda faz parte da rotina de milhares de famílias brasileiras. Conforme documentos analisados pela equipe, esse tipo de exposição prolongada pode causar inflamação respiratória crônica semelhante à observada em fumantes.
Além disso, especialistas alertam que o aumento da poluição ambiental nas grandes cidades também tem contribuído para o agravamento de doenças pulmonares.
Sintomas costumam ser ignorados
Um dos principais desafios relacionados à DPOC é o atraso no diagnóstico. Muitos pacientes acreditam que a falta de ar ou o cansaço excessivo fazem parte apenas do envelhecimento ou do sedentarismo.
A Dra. Bianca Santos destaca que sintomas persistentes precisam de avaliação médica, principalmente em pessoas com histórico de exposição à fumaça ou poluentes.
“Quando o paciente percebe dificuldade para realizar atividades simples do dia a dia, a doença muitas vezes já está avançada”, afirma a especialista.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da DPOC costuma envolver avaliação clínica e exames respiratórios, como a espirometria, utilizada para medir a capacidade pulmonar.
Embora a doença não tenha cura, o tratamento pode ajudar no controle dos sintomas e retardar a progressão do quadro.
Entre as principais medidas estão:
interrupção do tabagismo;
redução da exposição à fumaça;
uso de medicações inalatórias;
acompanhamento pneumológico;
prática de atividades físicas supervisionadas.
Saúde respiratória exige atenção contínua
Especialistas reforçam que a prevenção continua sendo a principal estratégia contra doenças respiratórias crônicas. Reduzir exposição à fumaça e procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes pode fazer diferença no diagnóstico precoce.
Na avaliação da equipe médica consultada durante a reportagem, campanhas de conscientização sobre a DPOC ainda são fundamentais para ampliar informação e reduzir subnotificação da doença.