Colônia Penal Feminina do Recife passa a receber curso pré-vestibular regular da UPE
A Colônia Penal Feminina do Recife, localizada no bairro do Engenho do Meio, passou a integrar a programação regular do Prevupe 2026, curso pré-vestibular da Universidade de Pernambuco (UPE) voltado também a pessoas privadas de liberdade. A iniciativa é realizada em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização de Pernambuco (Seap) e amplia a oferta de preparação para processos seletivos dentro do sistema prisional.
As aulas começaram em agosto e fazem parte de uma programação que atende cinco unidades prisionais do Estado. Ao todo, 350 pessoas privadas de liberdade participam da edição de 2026, com aulas presenciais previstas até dezembro. O curso reúne 288 horas-aula, ministradas por 12 professores da UPE, com conteúdos relacionados ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e a outros vestibulares. (Corrivus)
A participação da unidade feminina do Recife representa uma ampliação de uma iniciativa que já vinha sendo construída dentro do sistema prisional pernambucano. Em fevereiro, a Seap havia anunciado a chegada do Prevupe à Colônia Penal Feminina do Recife por meio de aulões preparatórios. Na ocasião, a unidade foi apresentada como a primeira unidade prisional feminina do Estado a receber o projeto, com previsão de 35 vagas para internas. (Blog do Edney)
A diferença entre as duas etapas é relevante. Os aulões anunciados anteriormente faziam parte da expansão inicial do projeto para a unidade feminina. Em 2026, a Colônia Penal Feminina do Recife aparece formalmente entre os polos do Prevupe PPL, modalidade destinada à população privada de liberdade, com funcionamento previsto no Engenho do Meio. O edital da UPE identifica a unidade como polo do programa e registra o endereço na Rua Bom Pastor, no Recife. (Prevupe)
Preparação para o Enem
O objetivo do programa é oferecer preparação acadêmica para pessoas privadas de liberdade que pretendem disputar oportunidades de acesso ao ensino superior. As disciplinas trabalhadas no curso estão relacionadas aos conteúdos cobrados no Enem e em vestibulares, permitindo que os participantes mantenham uma rotina de estudos estruturada durante o período de preparação. (DIVULGA PETROLINA)
Para a população atendida pelo sistema prisional, a iniciativa possui uma dimensão que ultrapassa a preparação para uma prova. A proposta apresentada pela Seap associa o acesso à educação à ampliação de perspectivas pessoais e profissionais e ao processo de reinserção social.
Segundo Jorge Henrique, gerente de Educação e Esporte da Seap, o Prevupe representa uma oportunidade de crescimento por meio do estudo e pode contribuir para ampliar a autonomia das pessoas privadas de liberdade. (Corrivus)
A estratégia também está alinhada à expansão gradual de ações educacionais dentro das unidades prisionais pernambucanas. O projeto-piloto do Prevupe no sistema prisional começou em 2024, inicialmente no Presídio de Igarassu. Posteriormente, chegou ao Centro de Observação e Triagem Criminológica Everardo Luna, em Abreu e Lima, e à Penitenciária Doutor Ênio Pessoa Guerra, em Limoeiro. (Blog do Edney)
Cinco unidades participam do programa
A edição de 2026 do Prevupe para pessoas privadas de liberdade foi estruturada em cinco unidades prisionais de Pernambuco. Além da Colônia Penal Feminina do Recife, participam o Centro de Observação e Triagem Criminológica Everardo Luna, o Presídio de Igarassu, a Penitenciária Doutor Ênio Pessoa Guerra, em Limoeiro, e a Colônia Penal Feminina de Abreu e Lima.
A distribuição amplia territorialmente o alcance da iniciativa e inclui unidades localizadas na Região Metropolitana do Recife e no interior do Estado. As informações do edital da UPE também confirmam a existência de polos específicos do Prevupe PPL em Recife, Abreu e Lima, Igarassu e Limoeiro. (Prevupe)
No caso da unidade feminina do Recife, a localização no Engenho do Meio também confere à iniciativa um recorte territorial importante. A presença do programa dentro da capital pernambucana aproxima a política de educação prisional de uma das áreas mais populosas e urbanizadas do Estado.
Educação como instrumento de ressocialização
A oferta de preparação para vestibulares dentro de uma unidade prisional está relacionada a uma questão mais ampla: a possibilidade de ampliar o acesso à educação formal durante o cumprimento da pena.
A Seap apresenta o Prevupe como uma ação voltada à educação e à reinserção social. A lógica é oferecer instrumentos para que as pessoas privadas de liberdade possam continuar estudando, disputar oportunidades educacionais e construir alternativas para o período posterior ao cumprimento da pena. (DIVULGA PETROLINA)
Em 2025, segundo informações divulgadas pela Seap, 185 pessoas privadas de liberdade haviam sido beneficiadas pelos aulões preparatórios do projeto. A expansão para 350 participantes em 2026 demonstra o crescimento do alcance da iniciativa dentro do sistema prisional pernambucano. (Blog do Edney)
A preparação para o ensino superior também cria uma conexão entre educação básica, processos seletivos e perspectivas de continuidade acadêmica. No caso do Prevupe, a atuação dos professores da UPE acrescenta uma estrutura institucional de preparação aos estudantes atendidos pelo programa.
Uma nova etapa para a unidade feminina do Recife
A entrada da Colônia Penal Feminina do Recife na programação regular do Prevupe 2026 representa, portanto, uma nova etapa de uma iniciativa que começou com ações preparatórias e foi posteriormente incorporada à estrutura do programa voltado à população privada de liberdade.
O ponto central da novidade não é a realização de qualquer atividade preparatória pela primeira vez na unidade, mas a consolidação da participação da Colônia Penal Feminina do Recife no Prevupe PPL 2026, com aulas regulares dentro da programação estadual.
Com 288 horas-aula previstas e conteúdos direcionados ao Enem e aos vestibulares, o programa estabelece uma rotina de preparação que pode contribuir para ampliar as possibilidades de acesso ao ensino superior entre as participantes.
A experiência também reforça o papel das instituições públicas de ensino na construção de políticas educacionais voltadas a públicos específicos. Para Pernambuco, a parceria entre UPE e Seap amplia a presença da universidade em uma área diretamente relacionada à educação, à cidadania e à ressocialização.
No Engenho do Meio, a iniciativa coloca a educação superior como uma possibilidade concreta para mulheres que cumprem pena e que desejam continuar estudando. O resultado dessa preparação ainda dependerá do desempenho das participantes nos processos seletivos, mas a estrutura criada pelo Prevupe oferece uma etapa importante: acesso organizado ao conteúdo e acompanhamento pedagógico para quem pretende disputar uma vaga no ensino superior.