Campanha eleitoral começa em Pernambuco com João Campos e Raquel Lyra em agendas pelo Estado

Eleições 2026 em Pernambuco - Primeiro dia oficial da campanha teve atos no Recife, Região Metropolitana, Caruaru e Petrolina e marca nova fase da disputa pelo Governo de Pernambuco.

Por Inácio Santos | Publicado em 16/08/2026 às 16:47
A campanha eleitoral de 2026 começou oficialmente neste domingo, 16 de agosto, em Pernambuco, colocando os candidatos ao Governo do Estado em uma nova etapa da disputa pelo Palácio do Campo das Princesas. Com a abertura do período oficial de propaganda, João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) iniciaram agendas públicas em diferentes regiões de Pernambuco, enquanto outros concorrentes também passaram a apresentar suas candidaturas diretamente ao eleitorado. A data não representa apenas o início das atividades de rua. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a partir de 16 de agosto está autorizada a propaganda eleitoral, inclusive na internet, dentro das regras estabelecidas pela legislação eleitoral. Também passam a ser permitidos atos como caminhadas, carreatas e distribuição de material de campanha, observadas as restrições previstas pela Justiça Eleitoral. O primeiro dia da campanha em Pernambuco foi marcado por uma divisão clara de estratégias entre os dois principais nomes da disputa. Enquanto João Campos concentrou sua programação principalmente no Recife e na Região Metropolitana, Raquel Lyra estruturou uma agenda que percorreu diferentes regiões do Estado. João Campos concentra largada no Recife e na Região Metropolitana O candidato do PSB iniciou oficialmente sua campanha ainda nos primeiros minutos do domingo. De acordo com a programação divulgada antes da largada, João Campos participou de um adesivaço à 0h30 no Comitê Central da Frente Popular, no Poço da Panela, Zona Norte do Recife. A agenda prosseguiu pela manhã com uma pedalada que teve concentração no Parque da Macaxeira. Depois, o candidato seguiu para o Cabo de Santo Agostinho, onde participou de uma caminhada com apoiadores na região da Ponte dos Carvalho. De volta à capital pernambucana, João Campos realizou uma caminhada em Brasília Teimosa. A programação previa ainda uma atividade na Soledade, onde seria inaugurado o comitê do deputado federal Carlos Veras. A programação foi divulgada pelo Diario de Pernambuco antes do início oficial dos atos. Já durante a manhã deste domingo, a campanha também passou a apresentar propostas específicas. Em visita ao Hospital da Criança do Recife, João Campos anunciou a intenção de construir quatro novos hospitais públicos em Pernambuco. Entre os projetos apresentados está o Hospital Geral Metropolitano, previsto para a área entre as BRs 232 e 101, na região entre Recife e Jaboatão dos Guararapes. Segundo a cobertura publicada neste domingo, a proposta prevê uma unidade com 900 leitos. O anúncio foi apresentado pela campanha como uma ampliação da capacidade de atendimento da rede pública estadual. A escolha da saúde como um dos primeiros temas apresentados oficialmente também cria um dos primeiros eixos programáticos da disputa. A partir de agora, propostas anunciadas pelos candidatos passam a integrar formalmente a competição eleitoral e poderão ser comparadas pelo eleitorado ao longo da campanha. Raquel Lyra percorre Recife, Caruaru e Petrolina A governadora e candidata à reeleição pelo PSD adotou uma estratégia territorial mais ampla no primeiro dia oficial da campanha. Raquel Lyra começou a programação no Recife, com adesivaços previstos nos comitês localizados no Pina e na região da Soledade. Depois, seguiu para Caruaru, no Agreste, e posteriormente para Petrolina, no Sertão. A agenda divulgada pelo Diario de Pernambuco previa compromissos às 8h55 no Pina, às 10h55 na Avenida João de Barros, às 13h55 em Caruaru e, posteriormente, atividades em Petrolina. A candidata estava acompanhada da vice-governadora Priscila Krause e de candidatos ao Senado que integram sua composição política. A movimentação permite interpretar o desenho inicial da campanha como uma tentativa de apresentar presença simultânea em diferentes regiões do Estado. Recife concentra grande parte do eleitorado pernambucano, enquanto Caruaru possui peso político e econômico no Agreste e Petrolina representa um dos principais centros urbanos do Sertão. A própria escolha das cidades transforma o primeiro dia de campanha em uma demonstração territorial. Não se trata, porém, de afirmar que a estratégia determinará o resultado eleitoral. Seu efeito sobre o eleitorado ainda dependerá da evolução da campanha, da exposição dos candidatos, das propostas apresentadas e das disputas regionais que ocorrerão até outubro. O que muda com o início oficial da campanha A principal mudança para o eleitor é jurídica e comunicacional. Antes de 16 de agosto, pré-candidatos estavam submetidos às regras específicas da pré-campanha. A partir deste domingo, passa a ser permitida a propaganda eleitoral propriamente dita. O TSE estabelece que a propaganda pode ser realizada na internet, inclusive em sites de candidatos, partidos, federações e coligações, além de redes sociais e aplicativos de mensagens, desde que sejam respeitadas as normas eleitorais. Nas ruas, também são permitidas atividades como caminhadas, carreatas, passeatas e distribuição de material gráfico. O calendário eleitoral estabelece ainda regras específicas para comícios, equipamentos sonoros e outros formatos de propaganda. Outra ferramenta que ganha importância a partir desta etapa é o Pardal, sistema da Justiça Eleitoral destinado ao recebimento de denúncias de propaganda irregular. O TSE informou que o aplicativo estará disponível a partir de 16 de agosto e permitirá o encaminhamento de denúncias aos Tribunais Regionais Eleitorais. Isso significa que o eleitor pernambucano passa a acompanhar não apenas as propostas e agendas dos candidatos, mas também a regularidade das atividades de campanha. Uma disputa que começa com forte concentração no Estado A largada oficial ocorre em um cenário de intensa disputa pelo Governo de Pernambuco. João Campos tenta transformar sua força política na capital e sua articulação com o campo lulista em uma candidatura competitiva em todo o Estado. Raquel Lyra, por sua vez, busca a reeleição apresentando a experiência de quatro anos à frente do Executivo estadual e ampliando sua presença territorial. A campanha também envolve Ivan Moraes, do PSOL, que manteve sua candidatura mesmo após as pressões políticas para que a legenda retirasse a disputa. A permanência de uma candidatura própria do PSOL acrescenta outro componente ao cenário eleitoral pernambucano e impede, neste momento, uma concentração completa do campo progressista em torno de João Campos. A existência dessa candidatura foi confirmada por diferentes veículos antes do início oficial da campanha. A partir de agora, os eleitores terão acesso a uma quantidade significativamente maior de informações, propagandas, entrevistas, debates e agendas públicas. O desafio jornalístico será distinguir fatos, propostas, declarações, pesquisas e acusações, especialmente em um período no qual a circulação de conteúdo político aumenta rapidamente. O que o eleitor de Pernambuco deve observar O início oficial da campanha não significa que o resultado da eleição esteja definido. A partir deste domingo, começa uma fase mais intensa da disputa, na qual os candidatos terão oportunidade de apresentar propostas e tentar ampliar suas bases eleitorais. Para o eleitor pernambucano, alguns pontos merecem atenção: quais propostas são efetivamente apresentadas, como os candidatos pretendem financiá-las, quais compromissos possuem relação com problemas concretos dos municípios e quais afirmações podem ser verificadas em documentos oficiais. Também será relevante observar como João Campos e Raquel Lyra ampliarão suas agendas para além das regiões onde iniciaram a campanha. Pernambuco possui realidades econômicas, sociais e territoriais bastante diferentes entre Região Metropolitana, Zona da Mata, Agreste e Sertão. A largada deste domingo, portanto, funciona como um retrato inicial das estratégias eleitorais, mas não como uma conclusão sobre a disputa. Com a propaganda oficialmente liberada, Pernambuco entra de forma definitiva na campanha para as Eleições 2026. Até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, candidatos e partidos terão pouco mais de seis semanas para convencer os eleitores, apresentar propostas e disputar espaço político em todo o Estado.